Funcionários do Banco do Brasil programam para esta sexta-feira (29) um dia de paralização nacional, em protesto às medidas de reestruturação recentemente anunciadas pela instituição. O governo quer fechar 112 agências e desligar 5 mil funcionários.

O presidente Jair Bolsonaro chegou a avaliar demitir o presidente do banco, André Brandão, devido à repercussão da medida, mas recuou após pedido do ministro da Economia, Paulo Guedes.

A decisão de fazer uma paralisação de 24 horas, nesta sexta-feira (29), foi tomada na última segunda (25) em assembleia virtual de funcionários do banco. Segundo nota do Sindicato dos Bancários de Brasília, os trabalhadores cruzarão os braços durante um dia, em manifestação à proposta de reestruturação da instituição. Uma das principais críticas dos funcionários é a redução salarial de até 40%.

O presidente do Sindicato, Kleytton Morais, disse que a paralisação vai envolver todos os estados.

“A perspectiva é de revertermos essa desestruturação com fechamento de agências e demissão em massa, principalmente com a evolução da entrada em cena também de atores sociais e políticos, em defesa do Banco do Brasil, como instituição pública indissociável da vida dos brasileiros e do processo de desenvolvimento do nosso país”, pontua Morais.

Essa paralisação faz parte de um calendário nacional de luta contra a privatização do banco. “Temos como objetivo avisar toda a população que vai ficar desassistida dos serviços bancários, uma vez que vários municípios brasileiros têm apenas a nossa agência em operação. Isso obriga o pequeno agricultor, por exemplo, a andar dias e mais dias em busca de uma operação”, completou o sindicalista.

O BB informou ao mercado a decisão sobre a reestruturação no último dia 11 de janeiro. A medida, de acordo com o banco, visa ganhos de eficiência operacional. A estimativa é economizar R$ 353 milhões em 2021 e R$ 2,7 bilhões, até 2025. Uma das metas da instituição é reduzir as agências físicas e reforçar a sua presença digital.

O banco tem hoje 22 milhões de clientes digitais e quer conquistar mais 5,5 milhões em 2021. As medidas levantaram suspeitas de que o banco se prepara para uma privatização, mas o presidente Jair Bolsonaro já disse diversas vezes que isso não ocorrerá em seu governo.