A decisão do PSDB de permanecer no governo Michel Temer (PMDB) não pôs fim à divisão interna do partido. Poucas horas depois da reunião da executiva que selou a manutenção da aliança, a ala conhecida como “cabeças pretas” se reuniu para articular a formação de um bloco dissidente na bancada da Câmara dos Deados.

Conforme o jornal O Estado de São Paulo, liderados pelo deado Daniel Coelho (PE), esses parlamentares tucanos defendem o rompimento com o Palácio do Planalto e prometem votar a favor de abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) contra Temer, no caso da esperada denúncia da Procuradoria-Geral da República. Para julgar Temer, o STF precisa de autorização da Câmara. A estimativa entre os tucanos é de que, dos 46 deados federais da sigla, 14 defendem o desembarque do governo.

Reservadamente, alguns deados falam até em deixar a sigla caso se cristalize a permanência no governo federal. De acordo com a coluna Painel, do jornal Folha de SP, pelo menos cinco deados tucanos estariam negociando a transferência para o PSL.

Se a denúncia da PGR se confirmar na próxima semana, os aliados do peemedebista esperam barrar a votação na Câmara dos Deados antes do recesso parlamentar, que começa em 18 de julho.